O gigantesco multiusos a ser erguido na capital russa

Apesar de ainda faltarem 7 anos para o Mundial de 2018, os russos já estão a trabalhar para impressionar o Mundo com as suas infra-estruturas.
Aquando da sua candidatura à organização do Mundial, foram apresentados 16 estádios, dos quais 13 vão ser completamente novos e 3 renovados.

Um dos projectos que mais me chamou a atenção é o da VTB Arena. Um colossal complexo desportivo que irá substituir o actual estádio do Dinamo de Moscovo, erguido em 1928.

Esta estrutura tem assinatura do arquitecto holandês, Erick van Egeraat e está orçamentada em mais de 1.000.000.000 € (não, não há engano no número de zeros).

O investimento vai ser suportado pelo Banco VTB, um dos maiores bancos da Russia, daí os “naming rights” já assegurados.

Mas que estrutura é esta para justificar tal factura?

Consiste numa área de terreno de 300.000 m2 onde irá ser erguido um estádio com capacidade para 45.000 pessoas, um pavilhão com 15.000 lugares, um centro comercial, um hotel (com 250 quartos), escritórios e ainda apartamentos residenciais.

O design da arena foi inspirado em colmeias, daí o padrão da cobertura e paredes exteriores dar a ideia de favos.
Para além do futebol, esta estrutura está preparada para a realização de jogos de rugby, futebol americano assim como provas de desporto motorizado.

Apesar de só estar concluído em 2016, os adeptos do Dinamo devem estar ansiosos para usufruirem de tal estrutura. O conforto vai ser, de certeza, muito maior em relação ao que até aqui estavam habituados, os próprios atletas vão beneficiar de melhores condições de trabalho (assim se pode dizer) e a nível económico acredito que, com uma boa gestão de todo o complexo, vai ser possível gerar bons resultados financeiros com a exploração dos diferentes espaços.

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Com o apertar do cerco aparecerão novos formatos para as competições?

Finalmente organizações como a UEFA e, cá em Portugal, a LPFP decidem impor regras e penalizações para os clubes que não tenham uma gestão responsável.
O descalabro na gestão de alguns clubes já não é de agora e se calhar esta tomada de posição já peca por tardia, pelo menos para alguns clubes que poderiam ter tido outro rumo se há 5 ou 10 anos atrás fossem obrigados a adoptar outros formatos de gestão.

Nesse sentido, talvez olhando para as normas que a UEFA quer implementar brevemente, a LPFP decidiu já esta época exigir aos clubes profissionais a entrega até ao dia 15 de dezembro de cada época desportiva os documentos comprovativos do pagamento das remunerações-base assim como as compensações mensais emergentes do período compreendido entre 31 de Maio e 10 de Novembro.
Caso um clube se atrase num período igual ou superior a 60 dias e que não regularize a situação até 15 dias após notificação expressa da Comissão Executiva da Liga incorre numa pena de subtração de três pontos. Na eventualidade de se tratar de um clube reincidente em alguma das duas épocas anteriores o clube arrisca-se a perder seis pontos.

Por sua vez a UEFA, afirmando a própria que 56% dos clubes europeus são deficitários, decidiu criar o programa “fair play financeiro” obrigando os clubes a cortar nos salários e transferências já a partir de 2013-2014. Contudo as regras terão de começar a ser aplicadas pelos clubes já na próxima época.
Assim sendo, nesta fase incial, os clubes apenas podem apresentar prejuízos de 45 milhões de euros em duas ou três temporadas, daí a época 2011/2012 já contar para o histórico do clube no momento de se fazer a avaliação.
Este tipo de exigências por parte do maior organismo europeu de futebol irá sem dúvida obrigar os clubes a baixarem salários (a título de curiosidade, em média, 64% das suas receitas são utilizadas em salários).
Os clubes que “saiam da linha” irão sofrer sanções disciplinares que serão avaliadas individualmente levando em conta a situação do clube. As penalizações podem ir desde a suspensão da actividade desportiva, exclusão da competição, retirada de pontos nas competições europeias até à proibição de inscrever jogadores.

Podemos afirmar de uma forma clara que os clubes vão ter de viver de acordo com as suas possibilidades.

Com estas exigências e sabendo da realidade do futebol português, estaremos perante uma revisão do formato das competições profissionais de futebol?

Eu acredito que sim, a não ser que muito rapidamente os clubes, principalmente os incumpridores, consigam melhorar o seu balancete.
Dos 32 clubes que actuam nas provas organizadas pela LPFP serão pouco mais de 50% os que conseguem cumprir todos os seus compromissos salariais. Logo, se for preciso excluir os “patinhos feios” ficaremos, por exemplo, com uma 1ª Liga onde se podem inscrever apenas 8/10 clubes.

Seria uma tragédia? Penso que não. Não vai ser preciso, nem seria realista, promover clubes cumpridores à pressa só para se construir uma liga com 16 clubes. Existem alternativas.
A solução seria mesmo ter uma liga com 8/10 equipas, jogando a 3 ou 4 voltas ou então depois de 2 voltas criar play-off’s com duas polls.
Este tipo de formato já se utiliza em vários campeonatos por toda a Europa e olhando para a nossa realidade, seria sem dúvida mais interessante ter 4 jogos entre FC Porto e Benfica ao longo da época do que apenas 2. Interessante não só para os adeptos mas nitidamente para os próprios clubes, as receitas seriam superiores e a estabilidade financeira de certeza que agradece.

A formatação das provas, como já referi anteriormente, podem ser definidas com diferentes esquemas.
Utilizo como exemplo a Suiça, a Axpo Super League é constituída apenas por 10 equipas, jogam a 4 voltas (36 jogos), desce o 10º classificado e o 9º joga um play-off a duas mãos com o 2º classificado da 2ª liga (Challenge League), quem vencer garante o seu lugar na Axpo Super League na época seguinte.
Viajando até à Escócia, a Premier League inclui 12 equipas e jogam a 3 voltas. No final dos 33 jogos são criados 2 grupos. Os seis primeiros competem para o título enquanto os restantes 6 clubes para evitar a despromoção. As equipas jogam entre si uma vez (dentro de cada grupo) e os pontos da fase regular transitam para esta fase.

Estes são apenas dois exemplos de formatos que estão em vigor no futebol moderno e parecem ser bastante aceitáveis para a dimensão do nosso país assim como para a nossa realidade futebolistica.

A verdade é que em prol de uma modalidade auto-sustentável e justa para todos os clubes é necessário uma reformulação algo profunda acompanhada de uma mudança de paradigma a nível de gestão.

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Que futuro para os salários no futebol

Para além de apreciar a modalidade em si também gosto bastante de analisar e estudar o futebol e respectivas equipas no que diz respeito à parte administrativa.

Um pouco por todo o mundo existem casos interessantes de clubes bem geridos e de forma extremamente racional conseguindo ao mesmo tempo o respectivo e tão ambicionado sucesso desportivo. Porém, também os há, casos de insucesso que levam quase à destruição de alguns clubes. Nestas situações as razões podem ser várias, desde falta de experiência dos dirigentes no que a gerir uma instituição/empresa diz respeito, desejo irracional de levar o clube mais longe ou de tentar ser o protagonista e prometer/oferecer o que o clube não tem, entre outras razões.

Nos casos em que uma gestão ruinosa ao longo de vários anos leva a falência e por vezes ao desaparecimento dos clubes, a mesma assenta na maior parte das vezes, em viver acima das suas possibilidades, criando passivos tremendos e incapacidade para cumprir posteriormente as suas obrigações junto dos seus credores.

Para evitar isso é preciso estabelecer regras!

E uma das regras, que já muito foi discutida em diversas situações pelas pessoas que regem o futebol mas que nunca deu em nada, seria a imposição de tectos salariais.

Os mesmos existem em outras modalidades, com o objectivo de equilibrar um pouco as equipas que participam numa determinada competição. Através de um maior equilíbrio de forças garante-se jogos mais competitivos, resultados menos previsíveis, o que leva a uma maior disputa pelos títulos e consequentemente um maior interesse por parte dos adeptos em ir aos recintos desportivos, levando a maiores receitas e por aí fora que nem efeito dominó.

No futebol, para além de tentar aproximar as equipas no que diz respeito ao seu potencial, os tectos salariais seriam benéficos para evitar as falências dos clubes e para se impor salários mais homogéneos tanto dentro dos planteis assim como pelas diversas equipas presentes nos campeonatos.

É claro que os clubes ricos e poderosos não devem achar piada a esta ideia, pois iriam perder um pouco a sua força ao recrutar jogadores a clubes de dimensão inferior, assim sendo o lobby fará a sua pressão normal para que os limites salariais no futebol não se apliquem ou levem bastante tempo até entrar em vigor.

Os tectos salariais também não poderão ser implementados de um dia para o outro, os moldes em que irão funcionar devem ser bem estudados de forma a se garantir uma dinâmica de mercado racional e consequentemente uma economia desportiva sustentável.

Em vez de tentar inventar uma roda que se calhar já existe, nada melhor do que olhar para alguns formatos que já existem e são aplicados há diversos anos em diferentes provas de outras modalidades. Casos como a NHL (liga americana de hóquei no gelo), NFL (liga americana de futebol americano), MLS (liga americana de futebol), NBA (liga americana de basquetebol), Aviva Premiership (liga inglesa de rugby) e Top 14 (liga francesa de rugby) são alguns exemplos de provas onde se impõem limites no que diz respeito a salários e aparentemente com sucesso.

Pessoalmente acho que existem dois formatos que poderiam ser válidos para o futebol, mas perfeito seria a combinação de dois.

Um deles seria definir um valor máximo que cada equipa poderia pagar em salários ao seu plantel e caso esse valor fosse ultrapassado, teria que pagar esse valor em excesso a alguma entidade. Essa entidade ficaria responsável por aplicar esse dinheiro numa perspectiva social através de construção de escolas, infra-estruturas para o desenvolvimento da modalidade, etc., algo um pouco à semelhança do projecto 1Goal. Portanto de uma forma prática, e usando números redondos para facilitar as contas, se houvesse um limite de 100 milhões de Euros por época para salários, caso um clube tivesse um encargo de 125 milhões, teria que pagar 25 milhões de Euros como forma de “multa” à entidade respectiva.

Este formato se calhar poderia não ser o mais lógico, pois são poucos os clubes que atingem estes valores em salários e haveria espaço para se continuar a cometer os mesmos excessos em alguns casos, portanto um outro formato que talvez fizesse mais sentido seria a ideia já sugerida no passado pelo G14 em que consistia em gastar apenas 70% do lucro de uma equipa em salários. Mas mesmo aqui poderia continuar a haver um fosso tremendo entre as equipas, pois existem clubes com receitas gigantes, logo continuariam com grande capacidade económica para oferecer contratos milionários e a discrepância para com os clubes de menor dimensão continuaria a ser grande. Logo a solução mais racional seria combinar os dois modelos que mencionei anteriormente, as equipas poderiam aplicar 70% dos seus lucros da época anterior em salários na época seguinte mas sem nunca ultrapassar um limite, por exemplo os 100 milhões de Euros usados no exemplo mais acima. Mas como quem é rico pode pagar toda e qualquer “multa”, pura e simplesmente não se poderia ultrapassar o limite estipulado, como “benesse” cada equipa poderia ter um jogador cujo seu salário não entrasse para o “bolo” da equipa. Vamos imaginar por exemplo o Real Madrid, o somatório dos salários dos seus jogadores não podia ultrapassar os 100 milhões, porém o salário de Cristiano Ronaldo não entraria para o “bolo”. Algo parecido já acontece na MLS, onde se pode ter actualmente 2 jogadores fora do “bolo” dos salários da equipa, mas com ainda outras condicionantes.

Pessoalmente penso que seria um formato que, com algumas arestas ainda por limar, poderia ser interessante de forma a garantir a sustentabilidade das equipas de futebol. Para além disso os salários seriam mais homogéneos pelos diversos campeonatos e o fosso entre os clubes ricos e pobres poderia ser reduzido. Os campeonatos internos seriam mais competitivos nos países onde os títulos são decididos por apenas 2, 3 ou 4 clubes e a nível internacional, os candidatos não seriam sempre os mesmos.

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